
Não leitor, não errei no título, muito menos gaguejei.
Foi apenas um trocadilho pra lembrarmos de uma figura muito especial do futebol brasileiro.
O Mr Football, ou Príncipe Etíope como costumava chamá-lo, Nelson Rodrigues.
Estou falando de Didi, grande meio campista brasileiro, destaque no Botafogo do RJ, eleito melhor jogador da Copa do Mundo de 1958 e autor do primeiro gol do Maracanã.
Mestre Didi se notabilizou por ser o criador do chute de trivela, ou 3 dedos, como queiram, depois batizado pelo comentarista Luis Mendes como Folha Seca.
Um chute inovador, com a parte externa do pé, que povocava um efeito contrário na bola, uma subida cadenciada e uma queda repentina, atrapalhando qualquer reação dos goleiros adversários.
E foi isso o que aconteceu quarta-feira (23/09/2009) no estádio do Mineirão em Belo Horizonte, numa falta cobrada por Diego Souza.
Foi um lance sublime, ímpar e genial.
Diego caminhou pra bola com as passadas de Ademir da Guia, munido de muita vontade e grande inspiração.
E assim, como em 2008, ele novamente chamou a responsabilidade para si e num lance espetacular destruiu toda a empolgação dos cruzeirenses que tinham acabado de abrir o placar e dominavam o jogo.
Leves e largas passadas, e um totó na bola com um carinho extremo, mandando a redonda repousar no fundo das redes.
Estava no Filó, como inúmeras vezes gritou o falecido narrador Fernando Sasso de Minas Gerais e que teria muito orgulho de narrar um gol daqueles, premiando a genialidade de nosso camisa 7.
O goleiro cruzeirense, Fábio, nada pode fazer, pois foi traído pelo incomum, pelo imprevisível, que só os grandes e talentosos jogadores são capazes de fazer.
O lance individual e cheio de estilo, rendeu um dos lances mais bonitos do futebol brasileiro nesse ano, mas que está sendo deixado de lado por toda a imprensa, que nos dias de hoje, prefere qualquer tipo de "barraco" para garantir a venda de alguns exemplares a mais de jornal ou alguns pontinhos a mais no Ibope.
Fico triste pelo povo brasileiro, que se habituou a esse tipo de jornalismo sensacionalista e hoje em dia deixa de valorizar uma parte valiosa de um dos maiores patrimônios brasileiro que são as jogadas do nosso futebol.
Enquanto todos preferem discutir em vão a atuação do árbitro Evandro Rogério "Romão Leve", que já nos ajudou e nos prejudicou e nunca conseguiu ser realmente competente com o apito, eu prefiro me prender na magia do futebol, num lance rápido e decisivo que só os maiores conseguem executar.
Obrigado Mestre Didi, onde quer que você esteja, por ser uma lenda do futebol brasileiro.
E muito obrigado Diego Souza, por trazer um lance mágico, uma pintura, uma Folha-Seca de volta para os gramados. Teu futuro é gigante e a nação Palmeirense vai sentir muito a sua falta, quando os Europeus vierem reconhecer definitivamente seu valor, mas antes disso, marque eternamente seu nome nas alamedas do Palestra, como o craque do título brasileiro de 2009 e tente ouvir a torcida no fim do ano, quando será inevitável o assédio dos times de fora, pedindo sua permanência pra Libertadores de 2010.
Eu me antecipo, em nome da torcida Palmeirense: "Fica Diego!".
Veja abaixo, o vídeo da pintura de Diego Souza.
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